O que é o Mapinguari?


Uma das muitas versões  sobre  o mapinguari

O Mito do Mapinguari
Anete Costa Ferreira
Investigadora.

Na Amazónia pela diversidade da sua fauna, a Zoologia se confunde com a Mitologia. Dentre as inúmeras lendas populares distingue-se a que refere-se ao Mapinguari, considerado o monstro mais temível da região.

Trabalhadores e caçadores de todos os ofícios descrevem-no como autêntico
demônio pelos malefícios que tem causado aos frequentadores da floresta.  O Pará, o Amazonas e o Acre são tidos como o habitat do feroz animal. Os  moradores que precisam se deslocar pela floresta vivem temerosos, pois o bicho mora  nas matas, com facilidade sobe os rios, acampa nas margens desertas dos grandes lagos  e lagoas que formam o espaço geográfico dos três Estados do Norte do Brasil.

Os narradores dizem que ele mata impiedosamente tudo que se atravesse no seu caminho numa fúria incontrolável para saciar a fome canica que o atormenta. Quem já o  viu descrevem-no como um homem agigantado de aproximadamente dois metros de  altura, cabelos negros longos que lhe cobrem o corpo à semelhança de um manto, mãos  compridas em forma de garras enormes, um so olho e uma boca que termina na barriga.

                      Sua vulnerabilidade (conforme a crença), é no umbigo, como afirmam
estudiosos esta é uma peculiaridade que pertence a todos os monstros. Em alguns trabalhos folclóricos seus autores asseguram que o Lobisomem só será abatido se for
com um tiro certeiro no umbigo.

Os mateiros contam que o Mapinguari só anda durante o dia, escondendo-se nas  florestas fechadas onde não passa a luz do Sol. Surge rapidamente dos troncos das  árvores para atacar o andante incauto. Quando avança berra alto, solta gritos curtos e  horripilantes, deixando a vítima atordoada e sem acção. Os branidos roucos e contínuos  ecoam na floresta, provocando o terror, fazendo as pessoas fugirem sem saber explicar  os difusos barulhos.

               Curiosamente sobre este bicho, não se tem encontrado registos nos relatos dos
viajantes dos séculos XVII-XVIII. As primeiras narrativas do Mapinguari surgem já no final do século XIX e início do século XX, através dos seringueiros que estiveram na  Amazônia, trabalhando no Ciclo Económico da Borracha.

                    O escritor maranhense Gonçalves Dias assemelha-o a um índio e relata: “O
Mapinguari é, evidentemente, um Caapora desfigurado, sem alguns elementos que no
passado autenticavam sua origem e actividade dentro das florestas. Guarda a estrutura e  o corpo vestido de pelos. Também o seu habitat florestal, continuando a ser um mito das  matas, conhecido especialmente por aqueles que nela vivem”. Recorde-se que o literato  esteve na Amazónia em função governamental na época áurea da goma elástica.

                  Segundo as lendas, o Mapinguari é um terrível inimigo do homem, a quem
devora e despreza. Quando apanha-o, coloca-o debaixo do braço, mergulha a cabeça na imensa bocarra e come-o aos poucos, mastigando lentamente, depois abandona o corpo.
Supõem os estudiosos das lendas e mitos que seu nome deriva da contracão do  mbaé-p-guari, coisa que tem os pés tortos e retorcidos, ao avesso. Inicialmente
pensaram que seria o rastro de forma estranha, circular, indicando a direcção oposta ao  verdadeiro rumo. Posteriormente é que a imaginação criou a figura material, semelhante aos outros monstros.

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Outra curiosidade é o Mapinguari escolher sempre os domingos e os dias
santificados para suas aventuras predatórias. Há ainda a afirmativa oral de que caçador  que caçar nestes dias é considerado tacitamente um homem morto. Para os religiosos o acto representa castigo ao caçador por actuar em dias  proibidos pela Igreja. Entretanto, para os índios Tuixauas, o Mapinguari “é a  reencarnação de um antigo rei da região”. Algumas pessoas dizem que ele foge quando
vê a preguiça. Mistério que não sabem explicar.

              Para os quatro mil índios das quatorze etnias que habitam o Parque do Xingu, a  versão é contraditória, pois vêem no Mapinguari um ser que protege a floresta contra os  que lhe fazem mal. Daí a a dúbia interpretação de que ele so ataca os caçadores que matam os animais .
O certo é que muitos cientistas têm se deslocado à Amazônia para apanhar o
monstro, mas sem sucesso até à presente data.

Cruz de Pau, 26 de Agosto de 2010.

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